terça-feira, 27 de dezembro de 2011

A Liga mostra as habilidades e dificuldades de pessoas com deficiência em seu cotidiano


A Liga é um programa de televisão brasileiro, criado pela produtora argentina Eyeworks e exibido pela Rede Bandeirantes desde 4 de maio de 2010. Seu formato é baseado no programa argentino La Liga, e conta em seu elenco com Rafinha Bastos, Thaíde, Débora Vilalba e Sophia Reis.
Para contar uma história sob a perspectiva de quem a vive só há um jeito, ir ao encontro dela. Comum seria não interferir e normal, nada sentir, não vivenciar. Mas não é isso que querem os apresentadores do programa. Eles tocam na realidade, olham de perto. É definido como jornalístico, mas procura mostrar com humor, drama e dose de acidez várias maneiras de se contar ao público uma mesma notícia.
No programa exibido dia 26/04/2011, foi mostrado o cotidiano de pessoas com diferentes tipos de Deficiência. Há um grande número de pessoas com deficiência existentes no Brasil, e por preconceito ou desconhecimento, a deficiência é vista como um impedimento. O desafio dessa matéria é comprovar que mesmo estando em uma cadeira de rodas, é possível viver uma vida como a de todos, só que para isso é necessário superar vários obstáculos com muito sacrifício.
Rafinha Bastos acompanhou Luciano, cadeirante há 15 anos e remador, mostra um pouco da intimidade de sua casa e como faz para sair de sua casa, localizada num lugar bastante inacessível. Além disso, mostrou as dificuldades encontradas para transitar pelas ruas e calçadas.
Débora Vilalba passou pela experiência de ficar 24 horas sem poder enxergar, com o o apoio de Renato, deficiente visual há 14 anos. Seu desafio começou em casa, onde levou 10 minutos até sair do local para ir ao encontro de Renato, e continuou pelas ruas onde teria que andar algumas quadras e também pegar um ônibus até o ponto de encontro. Depois do encontro, e uma volta juntos pelas ruas, experimentando as dificuldades de orelhões e postes pela calçada mas sem sinalização, uma parada no restaurante, que não possuia cardápio em Braille.
 
Altair Gonçalves, mais conhecido por Thaíde, foi conhecer Marcos, jogador da Associação Desportiva para Deficientes, para mostrar os benefícios que o esporte pode trazer para a vida de uma pessoa com deficiência. Conheceu as regras básicas do jogo, sentou em uma cadeira própria para competição, e participou de uma partida.
Sophia Reis foi conhecer Gonçalo, que nasceu com uma deficiência congênita que fez com que perdesse a mobilidade de seus braços e é artista plástico. Gobçalo pinta suas obras segurando o pincel com a boca, e Sophia também foi experimentar utilizar a mesma técnica. Casado e com filhos, mostrou as adaptações que utiliza para realizar tarefas do cotidiano como se barbear, atender o telefone e mandar seus emails com independência. Além disso, também fez um passeio no carro de Gonçalo, adaptado para dirigir com os pés, uma de suas maiores conquistas.
Rafinha também conheceu Mariana e Cláudio que possuem Síndrome de Down, e acompanhou o encontro dos dois em uma balada com outras pessoas que possuem a mesma deficiência. Uma história de amor, pois pessoas com deficiência também tem relacionamentos amorosos.
Thaíde continua sua visita conhecendo Ivan e Luis, deficientes visuais e jogadores de futebol. Novamente conheceu as regras e adaptações para esta modalidade paradesportiva, como guizos sonorizadores no interior da bola, e as chamadas por voz para se situar na quadra.
Débora desta vez foi conhecer Val, deficiente visual e surfista em Santos, no litoral de São Paulo. Experimentou na pele também qual a sensação de surfar sem poder enxergar. Mas para terminar o desafio de ficar 24 horas sem enxergar, Débora ao retornar à sua casa, ainda vendada, teve que preparar sua comida e fazer todos os outros afazeres antes de ir dormir.



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III Fórum Copa Bahia 2014 debate acessibilidade


Quem compareceu sia 12 de dezembro no Gran Hotel Stella Maris, em Salvador, se deparou com um receptivo diferente. Idosos e cadeirantes recepcionaram os participantes do III Fórum Copa Bahia 2014, evento realizado pela Secopa, que teve como foco, o debate sobre a inclusão de pessoas com deficiências no Mundial de 2014. Um protocolo de intenções com o Cedeca e um convênio com o Sebrae-BA foram assinados durante o evento, com intuito de ampliar os legados sociais da Copa na Bahia.
Com uma representatividade expressiva, o evento contou, em sua abertura, com a participação do ex-ministro do Esporte do Reino Unido, Richard Carbon, do Secretário Nacional de Desenvolvimento Turístico do Ministério do Turismo, Fábio Motta, do diretor de relações institucionais do Comitê Organizador da Copa 2014, Fábio Starling, dos Secretários Estaduais da Copa do Mundo, Ney Campello, de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), Almiro Sena, da Fazenda, Carlos Martins, do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, do Turismo, Domingos Leonelli, do Superintendente do Sebrae-BA, Edival Passos, entre outras autoridades.
O primeiro painel do dia foi apresentado pelo Secretário Ney Campello e teve foco no balanço e nas perspectivas do Programa Copa 2014 na Bahia. Os participantes tiveram a oportunidade de saber o andamento dos principais projetos que estão sendo realizados para o Mundial de 2014. Durante sua explanação, o Secretário afirmou que “o espaço é uma oportunidade de controle público social daquilo que está em curso na Bahia para a Copa 2014”.
Antes de iniciar o segundo painel, o público foi surpreendido por duas apresentações de pessoas com deficiência: um casal apresentou um número de dança, e em seguida, um cadeirante emocionou o público com uma apresentação que foi aplaudida de pé pelos participantes.
Para debater sobre Acessibilidade na Copa: Superando Barreiras, um time especial foi montado. O Superintendente dos Direitos Humanos da Pessoa com Deficiência da SJCDH, Alexandre Baroni, intermediou a discussão sobre a temática que ocorreu entre o músico, compositor e fundador da Banda O Rappa, Marcelo Yuka, a Coordenadora do Núcleo de Pesquisa, Ensino e Projeto sobre Acessibilidade e Desenho Universal da UFRJ, Regina Cohen, e a Coordenadora-geral de Acessibilidade da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Ângela Carneiro da Cunha.
Yuka iniciou sua apresentação destacando a fala do Secretário Ney Campello sobre as duas Copas que acontecerão no país, sendo uma delas a de legados. ”Como o Secretário disse, o mais importante são os legados que ficarão”. A maior parte de sua explanação teve como objetivo a reflexão do público sobre a questão da acessibilidade. Já a Regina Cohen apresentou o projeto de Acessibilidade que foi desenvolvido para a cidade do Rio de janeiro, pensado como um dos legados para as pessoas com deficiência, após os jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.
O painel foi finalizado com a fala da Ângela Carneiro Cunha focou sua apresentação no panorama atual da acessibilidade no Brasil.
Pela tarde, os participantes puderam conhecer como Londres se preparou para receber as Olimpíadas do próximo ano. A palestra foi proferida pelo ex-ministro do Esporte do Reino Unido, Richard Carbon, que falou da oportunidade de conhecer Salvador e de sua satisfação com a cidade e o entusiasmo da preparação do Estado para a Copa 2014. “Vocês têm uma das maiores oportunidades de mostrar para o mundo sua cidade”, destacou.
Carbon relatou que durante as visitas que foram feitas nas cidades que já tinham realizado megaeventos esportivos, ele sempre fazia a seguinte pergunta: o que você faria de diferente se fosse realizar o evento novamente? Como resposta encontrava sempre que não existe preparação sem planejamento, orçamento e terra para construir. Em relação aos micro e pequenos negócios, ele conta que há mais de 70 mil negócios registrados para Londres em 2012. Também destacou que toda a experiência está disponível para uso do Brasil.
A discussão sobre a relação com a TV e Imprensa em grandes eventos internacionais também foi realizada no III Fórum. O debate foi intermediado pelo Presidente da Associação Bahiana de Cronistas Desportivas (ABCD), Márcio Martins, e contou com a participação dos jornalistas Jorge Luiz Rodrigues (Colunista do Globo ) e Eric da Máquina do Tempo.



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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Diferença entre Deficiência Mental e Doença Mental


Muita gente confunde deficiência mental e doença mental. Essa confusão é fácil de entender: os nomes são parecidos; as situações envolvidas, para leigos, são também parecidas. Mas são duas coisas bem distintas.
Segundo o DSM IV (Manual de Diagnóstico e Estatística de Distúrbios Mentais, edição de 1994), a deficiência mental é caracterizada por:
Um funcionamento intelectual significativamente inferior à média, acompanhado de limitações significativas no funcionamento adaptativo em pelo menos duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidados, vida doméstica, habilidades sociais/interpessoais, uso de recursos comunitários, auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança. O início deve ocorrer antes dos 18 anos.
Ou seja, a deficiência mental, ou deficiência intelectual, não representa apenas um QI baixo, como muitos acreditam. Ela envolve dificuldades para realizar atividades do dia-a-dia e interagir com o meio em que a pessoa vive.
Já a doença mental engloba uma série de condições que também afetam o desempenho da pessoa na sociedade, além de causar alterações de humor, bom senso e concentração, por exemplo. Isso tudo causa uma alteração na percepção da realidade. As doenças mentais podem ser divididas em dois grupos, neuroses e psicoses. As neuroses são características encontradas em qualquer pessoa, como ansiedade e medo, porém exageradas. As psicoses são fenômenos psíquicos anormais, como delírios, perseguição e confusão mental. Alguns exemplos de doenças mentais são depressão, TOC (transtorno obsessivo-compulsivo), transtorno bipolar e esquizofrenia.
O tratamento das duas condições também é diferente. Uma pessoa com deficiência mental precisa ser estimulada nas áreas em que tem dificuldade. Os principais profissionais envolvidos são educadores especiais, psicólogos, fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais. Medicamentos são utilizados quando a deficiência mental é associada a doenças como a epilepsia. Alguns dos profissionais citados também participam do tratamento da doença mental, como os psicólogos e terapeutas ocupacionais. Mas, além deles, é imprescindível o acompanhamento de um psiquiatra. Esse médico coordena o tratamento, além de definir a medicação utilizada para controlar os sintomas apresentados pelo paciente.
Em resumo, a principal diferença entre deficiência mental e doença mental é que, na deficiência mental, há uma limitação no desenvolvimento das funções necessárias para compreender e interagia com o meio, enquanto na doença mental, essas funções existem mas ficam comprometidas pelos fenômenos psíquicos aumentados ou anormais.
É importante destacar que as duas podem se apresentar juntas em um paciente. Pessoas com deficiência mental podem ter, associada, doença mental. Sendo assim, o tratamento deve levar em conta as duas situações.
Fonte: Chá com Sig

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

“O Caso Libras”, filme premiado internacionalmente com atores surdos


Nos dias 24 e 25 de julho a Rimel Produções filmou o curta-metragem “O Caso Libras”. O filme trata da história de um casal de surdo que discute dentro de um ônibus pela linguagem dos sinais. Apesar de estarem rodeados de pessoas, ninguém sabe ao certo por que o casal discute tanto. “O Caso Libras” trata de forma bem-humorada sobre o poder da linguagem de libras contando com um final inesperado que surpreende a todos.
O filme foi selecionado para o prêmio de NY pela Inffinito e irá participar do Festival de Tribeca. “Speechless”, título do curta-metragem em inglês, ficou em primeiro lugar no 4th Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF) de 2011
A Universidade Gama Filho já está preparando um evento para breve, onde pretende apresentar o vídeo aos estudantes e professores, com a apresentação dos atores e da diretora do curta, e debate com professores dos cursos de direito e psicologia, bem como com a coordenadora do curso de LIBRAS, da UGF. A intenção é inclusive convidar professores e alunos do INES – Instituto Nacional de Educação dos Surdos, disse Fernando Amaral do Centro Acadêmico do Direito da UGF.
Escrito por Melise Maia e Clara Deak, o curta conta com direção de Melise Maia e Produção de Anderson Muller, Letícia Tórgo e Lara Velho. No elenco já estão confirmados Ernesto Piccollo e André Ramiro (Tropa de Elite), entre outros. Em breve traremos novas informações sobre “O Caso Libras”.
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domingo, 13 de novembro de 2011

Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) faz campanha contra preconceito


A campanha era para ser veiculada na parte traseira dos ônibus, mas empresas de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre se recusaram a fazê-lo. A saída foi utilizar outdoors. Pelo menos em Porto Alegre, que desde o começo do mês é a primeira cidade brasileira a exibir uma campanha que defende o ateísmo.
Afinal, o que há de tão problemático com os anúncios? De acordo com Daniel Sottomaior, presidente da organização responsável pela campanha, o que incomoda é o conteúdo. Ele diz que as mensagens foram feitas com o objetivo de conscientizar a população de que o ateísmo pode conviver com outras religiões e não deve ser encarado como uma deficiência moral. “Todos os grupos que sofrem algum tipo de preconceito procuram fazer campanhas educativas para tentar minimizar o problema. Foi o que fizemos”, afirma.
Diante das mensagens veiculadas nos outdoors, as reações foram variadas. “Foram interpretadas como provocação por alguns grupos religiosos. Além disso, muitos acharam de mau gosto ou preconceituoso. Acho que isso foi coisa de quem não entendeu ou não quis entender”, diz. Daniel diz que seu objetivo é mostrar que ser ateu é difícil. “As pessoas ficam chocadas quando você revela que não acredita em um deus. Muitos chegam a perder emprego e, principalmente, amigos”.
Para o sociólogo americano e estudioso das religiões Phil Zuckerman o ateísmo ainda é fonte de muito preconceito. Segundo ele, ateus sofrem até mesmo perseguições. “Mesmo atualmente, em algumas nações, ser ateu é passível de punição com pena de morte. Nos Estados Unidos existe um forte estigma em ser ateu, principalmente no sul, onde a religiosidade é mais forte”, conta.
No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.
Apesar de tudo, Vera afirma que não se perturba com comentários acerca de sua escolha. “Acho natural que uma pessoa religiosa queira demonstrar sua fé. Entendo e convivo com pessoas bastante religiosas sem problema algum. Só não gosto quando ficam argumentando sobre o quanto é maravilhoso acreditar em Deus. Tenho direito a ter minha crença pessoal. Ou a falta dela.”
Daniel diz que atitudes como estas, vindas de amigos e familiares, fazem com que ateus não “saiam do armário”. Ele afirma que esta expressão, usada inicialmente para descrever homossexuais que ainda não se assumiram, encaixa-se perfeitamente no momento pelo qual o ateísmo vem passando. “Estamos atrasados uns 30 anos em relação à luta contra o preconceito, se compararmos com homossexuais ou negros. Sou bastante cético, mas tenho a esperança de que possamos alcançar o mesmo patamar daqui a algumas décadas”, revela.
Há quem veja afirmações como as dada por Daniel como exagero. O filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), considera ações como as desenvolvidas pela ATEA como marketing. “O preconceito diminuiu muito, principalmente nos meios universitários e empresariais. Acho a comparação de ateus com negros e homossexuais um exagero. Tem um pouco de marketing aí.”
Pondé admite que muitas pessoas ainda têm dificuldade em enxergar a possibilidade de uma vida sem um deus. “Muitos associam moral pública à religião. Isso também é um absurdo. Pessoas matam umas as outras acreditando ou não em Deus. O que acontece é que muitos ateus ficam alardeando coisas assim, mas acho que hoje o cenário já é bem diferente”, afirma.
Apesar de não ser tão enfático, Zuckerman admite que em alguns lugares do mundo o ateísmo não é mais visto como algo depreciativo. “Em muitas sociedades, como no Canadá e na Suíça, ser ateu não tem nada de mais. A Austrália, por exemplo, tem um primeiro-ministro ateu. Cada país tem uma dinâmica diferente.”

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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Patente cearense disponibiliza tablet em braile



Publicado em 2 de novembro de 2011 
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Equipamento deverá ser disponibilizado para a educação pública brasileira a partir do próximo ano.
Equipamento também possui a função de sintetização de voz e deverá estar no mercado a partir do ano que vem
Um dos principais desafios dos deficientes visuais é ter acesso a leitura em braile de 100% de qualquer texto produzido no Brasil ou no mundo. Esse sonho deve ser possível a partir de 2012 graças ao Projeto Portáctil desenvolvido por professores do Instituto Federal do Ceará (Ifce) juntamente com a empresa incubada AED Tecnologia. O equipamento é capaz de permitir a leitura de documentos impresso ou digitalizados, bem como a escrita de documentos, utilizando uma ou mais células braile.

A câmara do tablet fotografa a folha do livro, que é escaneada em OCR e transformada em texto editável. "O tablet, que possui a interface feita no Android, permite comunicar via bluetooth para mostrar numa célula braile com formato de mouse o que está sendo lido no texto, dando ao usuário total controle de navegação sobre o texto exibido nessa modalidade de linguagem", explica um dos "inventores" pertencente à empresa incubada, Heyde Leão.

O Portáctil, com patente cearense, é financiado pelo Ministério da Educação (MEC) desde 2010 após o reitor do Ifce Cláudio Ricardo Gomes de Lima ter apresentado a ideia ao ministro da Educação Fernando Haddad. Na próxima semana, o grupo de pesquisadores do Instituto irá à Brasília apresentar o resultado do trabalho e informar ao ministro que o protótipo está pronto e já poderá ser disponibilizado para a educação pública brasileira em 2012.

Também serão traçadas estratégias pelo MEC para que possa entrar em fase de produção, a partir de licitação, pela indústria nacional. "Será um novo tempo para o deficiente visual", afirma o projeto tem à frente o professor Anaxágoras Maia Girão, também coordenador geral do Portáctil. Segundo ele, o projeto, coordenado pelo Laboratório de Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento em Automação, ainda possui função de sintetização de voz, permitindo a leitura aos que não dominam a linguagem braile.

O objetivo do projeto é a inclusão de deficientes visuais na educação, salienta Heyde Leão. Segundo ele, o tablet poderia ser um diferencial, uma vez que é bastante custosa a produção de livros em braile. Um livro em braile, além do tamanho grande, precisa de mais de um volume para nele caber o original da edição comum. "O tablet pode armazenar muitos livros em braile", destaca.

Um dos integrantes da equipe, professor Elias Teodoro Júnior, ainda lembra que o equipamento se comunica com o tablet via bluetooth, o que permite que, na ausência do tablet, possa ser usado num celular do tipo smartphone. De acordo com o professor, a iniciativa tem como objetivo assegurar a inclusão de deficientes visuais na modernidade da educação. "Atualmente, temos pouca literatura em braile e a um custo muito alto. Esse equipamento possibilitará a leitura de qualquer documento". O Projeto Portáctil, tem patente depositada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

O equipamento possibilita a escrita, outra função adicional. Para Heyde Leão, ainda não é possível definir preço, uma vez que o MEC colocará os resultados do projeto em licitação pública para a indústria, sendo vencedora a proposta mais barata e de mais qualidade. Para dar uma ideia de comparação, ele cita o preço da máquina de braile, que tem mais de 60 anos no mercado e custa entre R$ 6 mil a R$ 7 mil. "As pessoas precisam desse tipo de solução para uma vida mais digna. Os valores finais devem ser justos".



Fonte: Diario do Nordeste
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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Quero fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial da copa de 2014, diz cientista

Cientista Miguel Nicolelis
Miguel Nicolelis não precisa ser reconhecido por mais ninguém – e nem ganhar o Nobel no qual é listado como eterno candidato – para provar que é o cientista brasileiro mais importante hoje. O paulistano da Bela Vista ganhou no ano passado um prêmio de mais de US$ 2,5 milhões (R$ 4,4 milhões) dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH, na sigla em inglês) que, distribuído ao longo de cinco anos, financiará sua pesquisa sobre a fusão entre homens e máquinas, cujos resultados vêm devolvendo a esperança para tetraplégicos e pacientes de Parkinson. Há mais vinte anos à frente de um laboratório na Universidade Duke, o neurocientista acaba de reunir suas ideias, teorias e descobertas em um livro publicado em março nos EUA e que chega em junho ao Brasil, pela Companhia das Letras, como Muito além do nosso eu – A nova neurociência que une cérebro e máquinas e como ela pode mudar nossas vidas.
Agora, ele se prepara para finalizar seus dois maiores projetos na vida: a construção de um polo de ciência em Macaíba, Natal, e a finalização de uma veste robótica que poderá fazer que tetraplégicosvoltem a andar, usando só a força do pensamento. “É o que quero fazer com um adolescente brasileiro paralisado na abertura da Copa do Mundo de 2014. Não me interesso por prêmios. Esse sim é o meu maior sonho. Se tudo der certo, esse menino dará o pontapé inicial”, promete.
E, se tudo parece dar certo, o Nobel também parece mais próximo. O cientista foi convidado para apresentar um simpósio em plena Fundação Nobel, em Estocolmo, na Suécia. Pela primeira vez, os comitês responsáveis pelas premiações nas área da Medicina, Química e Física se reuniram para organizar um evento multidisciplinar, cujo tema é justamente a fusão homem-robô, assunto do qual ele é a maior autoridade no mundo.
Quais foram as descobertas mais importantes da neurociência nos últimos dez anos?
Primeiramente, ela possibilitou observar populações de células de uma dimensão que ninguém tinha visto ainda. No meu livro, separei dez princípios descobertos pela nova neurociência. Experimentos nos últimos dez anos mostraram, por exemplo, que o processamento não é localizado, mas distribuído. Que os neurônios podem participar de vários circuitos simultaneamente. Que o sistema incorpora ferramentas artificiais como extensões do modelo do seu próprio corpo. O nosso corpo não termina no epitélio, mas se estende até o limite da ferramenta que a gente usa sobre o controle do cérebro. E uma série de outras descobertas mais técnicas e específicas, mas que na minha opinião formam o corpo de uma nova ciência do cérebro.

A resposta de um membro biônico já é similar à do corpo? Pode explicar como o órgão se adapta a uma estrutura externa?
Mesmo se você enviar o sinal para o Japão e esperar ele voltar, é 20 milissegundos mais rápido do que o sinal que sai da cabeça e vai para o músculo do macaco. Mas, para que isso ocorra, o cérebro tem de ser retreinado. Esse é outro princípio, o da plasticidade, o cérebro pode se adaptar. Uma vez que você está usando um artefato robótico, artificial, o cérebro tem de remapear sua relação com ele. Nós medimos isso, pela primeira vez, em tempo real. Com isso, o que demonstramos foi a capacidade do corpo de se estender, a libertação dos limites físicos através do cérebro. A mente pode entrar em um diálogo bidirecional com outro dispositivo. Era isso que ninguém sabia ainda. Mas esse meu experimento ainda era uma parte básica da pesquisa. Na verdade, ele surgiu para tentar provar uma teoria de quase duzentos anos. Queríamos resolver essa questão, e conseguimos, mas, no processo, notamos que estávamos mexendo em uma área que tinha um enorme potencial clínico. Poderia realmente ajudar as pessoas.

Entrevista com o cientista Miguel Nicolelis
Quando isso poderá ser aplicado nas pessoas?
Nos próximos três anos e meio queremos fazer a demonstração do projeto Walk Again, um consórcio multinacional de pesquisadores de neurociência e robótica que está desenvolvendo uma estrutura robótica para fazer que tetraplégicos voltem a se movimentar com autonomia completa, apenas com a força do pensamento. Estamos concluindo a primeira fase, demonstrando que é possível extrair sinais de controle motor de todo o corpo. Já mostramos que isso é valido para os membros superiores e inferiores e agora podemos controlar o balanço e o equilíbrio, o que é fundamental para andar.

O primeiro protótipo do exoesqueleto já foi finalizado?
O exoesqueleto está sendo desenvolvido por um roboticista com o qual trabalho há muitos anos, Gordon Cheng. Está sendo finalizado agora, em Munique. Criamos uma versão que será controlada de forma autônoma por um macaco – o que ele pensar, a tecnologia reproduzirá. Será uma estrutura de corpo inteiro, muito similar à que estamos desenvolvendo para a aplicação clínica em pessoas. Claro que o macaco não vai sair jogando bola, mas, se demonstrarmos que ele pode ter autonomia de movimento, cumpriremos o objetivo final. Conseguimos mexer com três variáveis fundamentais: tempo – a tecnologia é mais veloz que o ‘hardware biológico’ –, espaço – o membro biônico pode estar em qualquer lugar do universo – e força – o cérebro pode movimentar um guindaste industrial ou uma ferramenta nanométrica com o mesmo esforço. O controle do robô mistura os sinais dos pensamentos com reflexos robóticos. É como se fosse o corpo da gente, que tem comandos central e local. Ele é movimentado por motores hidráulicos. É feito de um material muito leve, que, apesar de resistente, pode ser dobrado.

Entrevista com o cientista Miguel Nicolelis
Que tecnologias podem surgir a partir do seu trabalho?
O aprimoramento da nanomedicina, por exemplo. Será possível fazer intervenções dentro da célula, retirar uma única célula cancerígena. Teoricamente, com a nossa tecnologia, no futuro, o operador poderia controlar essa ferramenta diretamente pela mente. Também seria possível controlar um foguete com a força do pensamento, ou mesmo um avatar.

Isso não é só ficção?
A prova de que isso não é ficção é que a maioria das grandes empresas de tecnologia do mundo já têm departamentos dedicados a estudar o impacto da tecnologia no cérebro e o desenvolvimento de interfaces entre a mente e os computadores. Google, Microsoft, Intel e IBM já têm essas divisões, o que é uma coisa inédita. Eu mesmo já fui palestrar no Google três vezes.

Muito picareta entrou nesse ramo nos últimos anos, puxado por essa onda do futurismo?
Sim, muitos. A maioria ligada a essa história de Singularidade, essa ideia de que as máquinas podem resolver todos os problemas humanos. Acho mais fácil ter uma invasão de aliens que isso que eles propõem acontecer. Eu tenho uma opinião totalmente oposta a deles. Não acredito na proposta filosófica de que as máquinas vão dominar o mundo e nos substituir. Acredito no oposto, que qualquer máquina é uma imagem do que nosso cérebro imaginou. Elas são continuações do nosso processo de pensar ou de tentar imitar a natureza. Acredito em um simbiose homem-máquina em que o cérebro humano vai continuar controlando e assimilando tudo. O cérebro assimila o que usa com frequência, não é a toa que somos viciados em celular, computador, TV. Aquilo é parte de nós. A imortalidade para mim vai chegar, mas vai acontecer de outra maneira: quando pudermos fazer um download dos nossos pensamentos, das nossas ideias, das nossas memórias. Isso é possível. Tudo o que fazemos é por meio de sinais elétricos e isso pode ser reproduzido até em avatares. Mas um avatar não inventa nada, não tem novas experiências. Eu gosto dessa ideia, acho até poética, mas não tem nada a ver com a imortalidade física. No futuro, quando criarmos métodos não-invasivos para captar a atividade cerebral com grande resolução – e esse equipamentos vão vir, é inevitável – ou mesmo se um dia as pessoas acharem que tudo bem implantar um chip, poderemos registrar milhares, um dia quem sabe milhões, de células individuais ao mesmo tempo. Hoje conseguimos registrar cerca de mil células ao mesmo tempo. Nesse patamar, já é possível sonhar com alguém andando, e é isso que eu quero fazer na abertura da Copa do Mundo, aqui no Brasil, com um adolescente brasileiro.

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No fundo do mar


Mergulho autônomo adaptado completa 20 anos no Brasil e se consagra como uma ferramenta de lazer e inclusão social



Por Cynthia Marafanti

Foto Fábio Freitas
Foi-se o tempo em que mergulhar nas profundezas do oceano era uma prática exclusiva para nadadores experientes, em ótima forma física e, por conseguinte, que não tivessem deficiência física. Atualmente, para desbravar as maravilhas e peculiaridades dos setes mares, basta querer! Isso mesmo, o mergulho adaptado é uma prática inclusiva e permite que pessoas com limitações físicas ou sensoriais possam curtir esse esporte prazeroso, além de promover bem-estar e alegria, num contato íntimo com a natureza. Os adeptos afirmam que a emoção é garantida.
O mergulho autônomo adaptado é uma prática esportiva legalizada, de acordo com a Handicapped Scuba Association Brasil (HSA Brasil), que representa a Handicapped Scuba Association Internacional no País. Assim, para conhecer de perto as particularidades do fundo do mar, é necessário o acompanhamento de algum profissional treinado pela organização, garantindo, assim, a segurança da atividade. “De início há o ‘batismo’ na piscina, como chamamos o primeiro contato com o mergulho.
Nesse momento, a pessoa vai aprender noções básicas de como usar o equipamento e vivenciar algumas horas de lazer. Se avaliarmos que ela está preparada, seguimos para algum balneário onde acontecerá o treino no mar”, explica Lúcia Sodré, professora de educação física, especializada na área de pessoas com deficiência, instrutora de  mergulho  autônomo e responsável pela HSA Brasil.
Lazer para profissionais
Agora, quem quiser ir além de algumas horas embaixo d’água, pode fazer o curso de mergulhador com certificado internacional. Nesse caso é necessário apresentar atestado médico específico e, após a autorização médica, o aluno deverá frequentar 40 horas de aula, incluindo aprendizados teóricos e práticos. Essa formação garante conhecimentos sobre equipamentos utilizados, física e fisiologia aplicadas ao mergulho.
Um dos atrativos do mergulho é que, embora seja uma prática esportiva, não há competição entre os participantes, pois se trata de uma atividade exclusiva para recreação e lazer. E por falar em diversão, quem tem mobilidade reduzida sabe da importância e facilidade de se locomover dentro da água, já que bro corpo fica leve e a flutuabilidade permite se deslocar com suavidade e experimentar sensações muito agradáveis. “A natureza marinha é impressionante. Poder tocar em corais, esponjas, estrelas-do-mar, tudo isso é incrível, me sinto livre e feliz em estar ali”, conta − por intermédio da esposa Cláudia Sofia Pereira− Carlos Jorge Rodrigues, 51 anos, surdo-cego e que pratica mergulho adaptado desde 1997.
Além de ser uma atividade lúdica, que envolve familiares e amigos, pode ser feito por pessoas com qualquer deficiência. “A metodologia de ensino varia de acordo com o grau de necessidade de cada aluno – como, por exemplo, materiais em braille para pessoas com deficiência visual ou com auxílio de vídeo com legendas para quem apresenta deficiência auditiva. Assim, fazemos com todas as pessoas. Afinal, para cada uma delas há adaptações em particular”, conta Lúcia.
A única ressalva é para pessoas com deficiência intelectual, já que os alunos têm de aprender um extenso conteúdo. No entanto, se o candidato apresentar capacidade de entendimento, também poderá participar e desfrutar da prática marinha.
Mergulhar faz bem
Há quem pense que mergulhar pode promover algum avanço no quadro clínico do paciente mergulhador. Mas Lúcia garante: “Essa atividade não tem cunho terapêutico”. Contudo, é certo que estar envolvido por uma imensidão de água e ver ou tocar animais exóticos proporciona sensações diferentes, afora o ato da inclusão social que, sem dúvida, favorece o estado psicológico de qualquer pessoa, com ou sem deficiência.
Jefferson Maia, 47 anos, foi baleado aos 23 e sofreu uma lesão cervical. À época, ele era mergulhador profissional e trabalhava em uma plataforma de petróleo. Para o espanto de muitos, mesmo após o incidente que lhe tirou a mobilidade dos braços e das pernas, não abriu mão do contato com a vida subaquática. “Sempre tive prazer em mergulhar, me sinto feliz com isso e não vejo razão para deixar de fazer algo que me faça bem”, conta.

Funcionamento e adaptações
A prática exige comunicação ininterrupta entre o grupo que está mergulhando, a qual é baseada em um conjunto de códigos de sinais estabelecidos internacionalmente (Sinais Convencionais). Esses gestos são ensinados aos mergulhadores com deficiência. No entanto, para facilitar o processo e possibilitar uma perfeita interação entre pessoas com deficiências visual, audiovisual e motora – com ausência ou limitação para o movimento dos membros superiores – foram criados os Sinais Convencionais Adaptados, instaurados de acordo com as habilidades e possibilidades de cada praticante. Estabelecida a forma de comunicação, é hora de cair na água. Mas você deve estar se perguntando: como levar um cadeirante, por exemplo, para o fundo do mar? “No Brasil, ainda não temos barcos adaptados com rampas, elevadores e barras de apoio como os disponíveis no Caribe, por exemplo.
Curiosidade
Como o próprio nome diz, o mergulho adaptado envolve as práticas de mergulho convencionais, com algumas adaptações materiais e técnicas. No  mergulho  convencional (para a pessoa sem deficiência), os praticantes têm de mergulhar sempre em dupla. Já na prática adaptada para tetraplégicos ou cegos e surdos, é necessário mergulhar em trio, a fim de aumentar a segurança.
Quando levamos grupos de pessoas com deficiência para mergulhar na costa brasileira, promovemos essa ‘adaptação’, carregando pessoas sem mobilidade no colo, guiando um cego, enfim, atendendo às necessidades de forma improvisada”, esclarece a professora. E no que diz respeito aos cais de porto, essa é outra questão a ser levantada. “É imprescindível que tenhamos uma estrutura pensada e exclusiva para pessoas com limitações físicas. Em Arraial do Cabo (RJ) há um projeto para a construção de uma plataforma adaptada, com cais flutuante e elevador, promovido pela Mister Diver. Acredito que após a alta temporada de 2012, esteja pronto”.
É evidente que ainda existem diversas barreiras no quesito acessibilidade, as quais impedem a popularização do mergulho adaptado. Por outro lado, é também verdade que seus adeptos não abrem mão de sentir o prazer de estar embaixo d’água e encontram soluções para os empecilhos. “Para mudar esse cenário e proporcionar maior inclusão social, é necessário que outras instituições se mobilizem e patrocinem momentos de lazer para pessoas com deficiência”, destaca Lúcia Sodré. O passeio é planejado com antecedência. “Para a hospedagem, reservamos pousadas e hotéis que ofereçam infraestrutura adequada”, complementa.
Onde mergulhar?
Como os mergulhos convencionais, as saídas para os adaptados, no Brasil, podem ser feitas em toda a costa, em praias e ilhas, mas as regiões mais procuradas, de acordo com a HSA Brasil, são Arraial do Cabo, Cabo Frio e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.
Ações e reações
Foto Flávia Mergulhão
Aula prática
O  mergulho  para pessoas com deficiência no Brasil aconteceu pela primeira vez em 1991, quando a professora Lúcia convidou James Gatacre, fundador e presidente da Associação Internacional de  Mergulho  Adaptado (HSA, sigla em inglês), para ir ao Rio de Janeiro e formar os primeiros instrutores especializados no País. “Desse dia em diante, percorremos um longo caminho, porque a maior barreira não é arquitetônica, ela está em desmistificar o preconceito de que pessoas com tetraplegia, por exemplo, não são capazes de fazer as mesmas coisas que aquelas sem deficiências fazem. O mergulho adaptado é apenas um exemplo de que para toda necessidade há uma solução”, reflete a pioneira.
Há, paralelamente, instituições como o Núcleo de Apoio à Natação (Nanasa), em Santo André (SP), que apoiam o mergulho autônomo adaptado. O Nanasa conta com o apoio do poder público, da iniciativa privada, da sociedade civil e de instituições do ensino superior, todos unidos para promover melhor qualidade de vida às pessoas, independentemente da classe social e de suas condições financeiras.
O núcleo atende atualmente cerca de 240 pessoas com deficiências visual, auditiva, intelectual e física, com atividades pra lá de especiais. Para se ter ideia, além das aulas de natação, totalmente gratuitas, os profissionais promovem reuniões pedagógicas com os familiares, orientando e estimulando o convívio social. Recreação com festas temáticas e atividades de lazer em parques da cidade são outras práticas da organização.




Fonte: Revista Sentidos
Compartilhado por: Rafael Mota

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bullying e a criança com deficiência. Uma forma diferente de nomear a discriminação infantil.

A violência moral e física contra estudantes com necessidades especiais é uma realidade velada. Saiba o que fazer para reverter essa situação
Um ou mais alunos xingam, agridem fisicamente ou isolam um colega, além de colocar apelidos grosseiros. Esse tipo de perseguição intencional definitivamente não pode ser encarado só como uma brincadeira natural da faixa etária ou como algo banal, a ser ignorado pelo professor. É muito mais sério do que parece. Trata-se de bullying. A situação se torna ainda mais grave quando o alvo é uma criança ou um jovem com algum tipo de deficiência - que nem sempre têm habilidade física ou emocional para lidar com as agressões.
Tais atitudes costumam ser impulsionadas pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, em boa parte, pelo preconceito trazido de casa. Em pesquisa recente sobre o tema, realizada com 18 mil estudantes, professores, funcionários e pais, em 501 escolas em todo o Brasil, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) constatou que 96,5% dos entrevistados admitem o preconceito contra pessoas com deficiência. Colocar em prática ações pedagógicas inclusivas para reverter essa estatística e minar comportamentos violentos e intolerantes é responsabilidade de toda a escola.
Conversar abertamente sobre a deficiência derruba barreiras
Quando a professora Maria de Lourdes Neves da Silva, da EMEF Professora Eliza Rachel Macedo de Souza, na capital paulista, recebeu Gabriel**, a reação dos colegas da 1ª série foi excluir o menino - na época com 9 anos de idade - do convívio com a turma. "A fisionomia dele assustava as crianças. Resolvi explicar que o Gabriel sofreu má-formação ainda na barriga da mãe. Falamos sobre isso numa roda de conversa com todos (leia no quadro abaixo outros encaminhamentos para o problema). Eles ficaram curiosos e fizeram perguntas ao colega sobre o cotidiano dele. Depois de tudo esclarecido, os pequenos deixaram de sentir medo", conta.
Hoje, com 13 anos, Gabriel continua na escola e estuda na turma da professora Maria do Carmo Fernandes da Silva, que recebe capacitação do Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (Cefai), da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, e está sempre discutindo a questão com os demais educadores. "A exclusão é uma forma de bullying e deve ser combatida com o trabalho de toda a equipe", afirma. De fato, um bom trabalho para reverter situações de violência passa pela abordagem clara e direta do que é a deficiência. De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down - Serviço de Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo, é normal os alunos reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe ao professor estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não pela imposição, mas por meio da conscientização e do esclarecimento.
Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying. Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos. Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimizar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo. Esse, aliás, deve extrapolar os limites da sala de aula, pois a violência moral nem sempre fica restrita a ela. O Anexo Eustáquio Júnio Matosinhos, ligado à EM Newton Amaral Franco, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, encontrou no diálogo coletivo a solução para uma situação provocada por pais de alunos.
Este ano, a escola recebeu uma criança de 4 anos com deficiência intelectual e os pais dos coleguinhas de turma foram até a Secretaria de Educação pedir que o menino fosse transferido. A vice-diretora, Leila Dóris Pires, conta que a solução foi fazer uma reunião com todos eles. "Convidamos o diretor de inclusão da secretaria e um ativista social cadeirante para discutir a questão com esses pais. Muitos nem sabiam o que era esse conceito. A atitude deles foi motivada por total falta de informação e, depois da reunião, a postura mudou."
Seis soluções práticas
- Conversar sobre a deficiência do aluno com todos na presença dele.
- Adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que necessário.
- Chamar os pais e a comunidade para falar de bullying e inclusão.
- Exibir filmes e adotar livros em que personagens com deficiência vivenciam contextos positivos.
- Focar as habilidades e capacidades de aprendizagem do estudante para integrá-lo à turma.
- Elaborar com a escola um projeto de ação e prevenção contra o bullying.

Fonte: Nova Escola

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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Curitiba apresentou projetos e programas de acessibilidade no Seminário Internacional de Acessibilidade

O secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba, Irajá de Brito Vaz, também anunciou em agosto, em Foz do Iguaçu, a criação do Selo de Acessibilidade e o início do funcionamento do transporte gratuito porta-a-porta para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Curitiba, que já é vanguarda no país em questões de acessibilidade, avança ainda mais certificando os setores da sociedade que promovem a inclusão da pessoa com deficiência e oferecendo transporte especial gratuitamente, afirma Irajá.
O projeto Acesso, que será lançado em Curitiba neste segundo semestre, é um dos destaques apresentados por Irajá no início dos trabalhos do Seminário Internacional de Acessibilidade - Uma responsabilidade profissional, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA-PR), com apoio dos governos municipal, estadual e federal.
Selo - O selo será entregue a bares, estabelecimentos comerciais, hotéis, órgãos públicos e áreas de lazer que estiverem de acordo com as normas de acessibilidade exigidas por lei. O projeto Acesso atenderá pessoas que não podem ser transportadas por ambulâncias ou pelos serviços municipais existentes, como o transporte escolar especial. O projeto também inclui a capacitação de motoristas, disse o secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba.
Participaram da abertura do seminário, além de Irajá de Brito Vaz, o vice-governador e secretário estadual da Educação, Flávio Arns, o secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, o presidente do CREA-PR, Álvaro Cabrini Júnior, o assessor da Casa Civil da Presidência da República Darci Bertoldo, entre outros.
Mobilização - O vice-governador Flávio Arns falou da grande mobilização entre todos os setores do governo do Paraná para criação do Plano Estadual de Acessibilidade. Estamos trabalhando, por determinação do governador Beto Richa, para criarmos o Paraná Acessível, afirmou. O novo plano parte de decreto assinado pelo governador obrigando todos os órgãos estaduais a criar uma área de atenção especial a pessoas com deficiência.
Após a assinatura do decreto, assumimos o compromisso de reunir todos os órgãos do governo para elaboração do plano de acessibilidade, acrescentou Flávio Arns. Temos muitos desafios, mas vamos trabalhar em conjunto, com a primeira reunião neste mês. Acessibilidade é ter plenas condições de participar da vida social, disse.
Novo plano - Darci Bertoldo, representando a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, disse que o governo federal lançará neste mês um plano de acessibilidade de grande impacto, com foco na aplicação efetiva das questões já legalizadas, que envolve vários níveis de governo e a sociedade. O plano prevê a garantia da acessibilidade em todas as áreas, permitindo que as pessoas com deficiência exerçam efetivamente seus direitos de cidadania, afirmou.
Bertoldo falou das políticas públicas do governo federal para garantia dos direitos da pessoa com deficiência e disse que o Brasil tem uma legislação avançada em relação à acessibilidade, com a ratificação da resolução da ONU sobre o assunto e a inclusão dessas questões na Constituição. São avanços que vieram dos esforços conjuntos entre governo e sociedade civil, afirmou.
O secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, que é deficiente visual, fez um histórico das políticas nacionais relativas à acessibilidade, a partir da década de 80, passando pela Constituição, pela leis de cotas, de atendimento prioritário e a que tornou oficial da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Lembrou também da resolução da ONU sobre a pessoa com deficiência (1989) e da criação da secretaria nacional (2010).
Acessibilidade é um direito, não um benefício, disse Ferreira. O secretário ainda citou as casas adaptadas do programa Minha Casa Minha Vida e disse que o Brasil é o primeiro país da América Latina a ter o sistema de audiodescrição em canais de televisão, para deficientes visuais. Estamos iniciando, com duas horas de programação por semana, mais vamos trabalhar para que todos os canais adotem o sistema, acrescentou.
Compartilhado por: Rafael Mota