quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Bullying e a criança com deficiência. Uma forma diferente de nomear a discriminação infantil.

A violência moral e física contra estudantes com necessidades especiais é uma realidade velada. Saiba o que fazer para reverter essa situação
Um ou mais alunos xingam, agridem fisicamente ou isolam um colega, além de colocar apelidos grosseiros. Esse tipo de perseguição intencional definitivamente não pode ser encarado só como uma brincadeira natural da faixa etária ou como algo banal, a ser ignorado pelo professor. É muito mais sério do que parece. Trata-se de bullying. A situação se torna ainda mais grave quando o alvo é uma criança ou um jovem com algum tipo de deficiência - que nem sempre têm habilidade física ou emocional para lidar com as agressões.
Tais atitudes costumam ser impulsionadas pela falta de conhecimento sobre as deficiências, sejam elas físicas ou intelectuais, e, em boa parte, pelo preconceito trazido de casa. Em pesquisa recente sobre o tema, realizada com 18 mil estudantes, professores, funcionários e pais, em 501 escolas em todo o Brasil, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) constatou que 96,5% dos entrevistados admitem o preconceito contra pessoas com deficiência. Colocar em prática ações pedagógicas inclusivas para reverter essa estatística e minar comportamentos violentos e intolerantes é responsabilidade de toda a escola.
Conversar abertamente sobre a deficiência derruba barreiras
Quando a professora Maria de Lourdes Neves da Silva, da EMEF Professora Eliza Rachel Macedo de Souza, na capital paulista, recebeu Gabriel**, a reação dos colegas da 1ª série foi excluir o menino - na época com 9 anos de idade - do convívio com a turma. "A fisionomia dele assustava as crianças. Resolvi explicar que o Gabriel sofreu má-formação ainda na barriga da mãe. Falamos sobre isso numa roda de conversa com todos (leia no quadro abaixo outros encaminhamentos para o problema). Eles ficaram curiosos e fizeram perguntas ao colega sobre o cotidiano dele. Depois de tudo esclarecido, os pequenos deixaram de sentir medo", conta.
Hoje, com 13 anos, Gabriel continua na escola e estuda na turma da professora Maria do Carmo Fernandes da Silva, que recebe capacitação do Centro de Formação e Acompanhamento à Inclusão (Cefai), da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo, e está sempre discutindo a questão com os demais educadores. "A exclusão é uma forma de bullying e deve ser combatida com o trabalho de toda a equipe", afirma. De fato, um bom trabalho para reverter situações de violência passa pela abordagem clara e direta do que é a deficiência. De acordo com a psicóloga Sônia Casarin, diretora do S.O.S. Down - Serviço de Orientação sobre Síndrome de Down, em São Paulo, é normal os alunos reagirem negativamente diante de uma situação desconhecida. Cabe ao professor estabelecer limites para essas reações e buscar erradicá-las não pela imposição, mas por meio da conscientização e do esclarecimento.
Não se trata de estabelecer vítimas e culpados quando o assunto é o bullying. Isso só reforça uma situação polarizada e não ajuda em nada a resolução dos conflitos. Melhor do que apenas culpar um aluno e vitimizar o outro é desatar os nós da tensão por meio do diálogo. Esse, aliás, deve extrapolar os limites da sala de aula, pois a violência moral nem sempre fica restrita a ela. O Anexo Eustáquio Júnio Matosinhos, ligado à EM Newton Amaral Franco, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, encontrou no diálogo coletivo a solução para uma situação provocada por pais de alunos.
Este ano, a escola recebeu uma criança de 4 anos com deficiência intelectual e os pais dos coleguinhas de turma foram até a Secretaria de Educação pedir que o menino fosse transferido. A vice-diretora, Leila Dóris Pires, conta que a solução foi fazer uma reunião com todos eles. "Convidamos o diretor de inclusão da secretaria e um ativista social cadeirante para discutir a questão com esses pais. Muitos nem sabiam o que era esse conceito. A atitude deles foi motivada por total falta de informação e, depois da reunião, a postura mudou."
Seis soluções práticas
- Conversar sobre a deficiência do aluno com todos na presença dele.
- Adaptar a rotina para facilitar a aprendizagem sempre que necessário.
- Chamar os pais e a comunidade para falar de bullying e inclusão.
- Exibir filmes e adotar livros em que personagens com deficiência vivenciam contextos positivos.
- Focar as habilidades e capacidades de aprendizagem do estudante para integrá-lo à turma.
- Elaborar com a escola um projeto de ação e prevenção contra o bullying.

Fonte: Nova Escola

Compartilhado por: Rafael Mota

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Curitiba apresentou projetos e programas de acessibilidade no Seminário Internacional de Acessibilidade

O secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba, Irajá de Brito Vaz, também anunciou em agosto, em Foz do Iguaçu, a criação do Selo de Acessibilidade e o início do funcionamento do transporte gratuito porta-a-porta para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida. Curitiba, que já é vanguarda no país em questões de acessibilidade, avança ainda mais certificando os setores da sociedade que promovem a inclusão da pessoa com deficiência e oferecendo transporte especial gratuitamente, afirma Irajá.
O projeto Acesso, que será lançado em Curitiba neste segundo semestre, é um dos destaques apresentados por Irajá no início dos trabalhos do Seminário Internacional de Acessibilidade - Uma responsabilidade profissional, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA-PR), com apoio dos governos municipal, estadual e federal.
Selo - O selo será entregue a bares, estabelecimentos comerciais, hotéis, órgãos públicos e áreas de lazer que estiverem de acordo com as normas de acessibilidade exigidas por lei. O projeto Acesso atenderá pessoas que não podem ser transportadas por ambulâncias ou pelos serviços municipais existentes, como o transporte escolar especial. O projeto também inclui a capacitação de motoristas, disse o secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Curitiba.
Participaram da abertura do seminário, além de Irajá de Brito Vaz, o vice-governador e secretário estadual da Educação, Flávio Arns, o secretário nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, o presidente do CREA-PR, Álvaro Cabrini Júnior, o assessor da Casa Civil da Presidência da República Darci Bertoldo, entre outros.
Mobilização - O vice-governador Flávio Arns falou da grande mobilização entre todos os setores do governo do Paraná para criação do Plano Estadual de Acessibilidade. Estamos trabalhando, por determinação do governador Beto Richa, para criarmos o Paraná Acessível, afirmou. O novo plano parte de decreto assinado pelo governador obrigando todos os órgãos estaduais a criar uma área de atenção especial a pessoas com deficiência.
Após a assinatura do decreto, assumimos o compromisso de reunir todos os órgãos do governo para elaboração do plano de acessibilidade, acrescentou Flávio Arns. Temos muitos desafios, mas vamos trabalhar em conjunto, com a primeira reunião neste mês. Acessibilidade é ter plenas condições de participar da vida social, disse.
Novo plano - Darci Bertoldo, representando a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, disse que o governo federal lançará neste mês um plano de acessibilidade de grande impacto, com foco na aplicação efetiva das questões já legalizadas, que envolve vários níveis de governo e a sociedade. O plano prevê a garantia da acessibilidade em todas as áreas, permitindo que as pessoas com deficiência exerçam efetivamente seus direitos de cidadania, afirmou.
Bertoldo falou das políticas públicas do governo federal para garantia dos direitos da pessoa com deficiência e disse que o Brasil tem uma legislação avançada em relação à acessibilidade, com a ratificação da resolução da ONU sobre o assunto e a inclusão dessas questões na Constituição. São avanços que vieram dos esforços conjuntos entre governo e sociedade civil, afirmou.
O secretário nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antonio José Ferreira, que é deficiente visual, fez um histórico das políticas nacionais relativas à acessibilidade, a partir da década de 80, passando pela Constituição, pela leis de cotas, de atendimento prioritário e a que tornou oficial da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Lembrou também da resolução da ONU sobre a pessoa com deficiência (1989) e da criação da secretaria nacional (2010).
Acessibilidade é um direito, não um benefício, disse Ferreira. O secretário ainda citou as casas adaptadas do programa Minha Casa Minha Vida e disse que o Brasil é o primeiro país da América Latina a ter o sistema de audiodescrição em canais de televisão, para deficientes visuais. Estamos iniciando, com duas horas de programação por semana, mais vamos trabalhar para que todos os canais adotem o sistema, acrescentou.
Compartilhado por: Rafael Mota