segunda-feira, 28 de novembro de 2011

“O Caso Libras”, filme premiado internacionalmente com atores surdos


Nos dias 24 e 25 de julho a Rimel Produções filmou o curta-metragem “O Caso Libras”. O filme trata da história de um casal de surdo que discute dentro de um ônibus pela linguagem dos sinais. Apesar de estarem rodeados de pessoas, ninguém sabe ao certo por que o casal discute tanto. “O Caso Libras” trata de forma bem-humorada sobre o poder da linguagem de libras contando com um final inesperado que surpreende a todos.
O filme foi selecionado para o prêmio de NY pela Inffinito e irá participar do Festival de Tribeca. “Speechless”, título do curta-metragem em inglês, ficou em primeiro lugar no 4th Los Angeles Brazilian Film Festival (LABRFF) de 2011
A Universidade Gama Filho já está preparando um evento para breve, onde pretende apresentar o vídeo aos estudantes e professores, com a apresentação dos atores e da diretora do curta, e debate com professores dos cursos de direito e psicologia, bem como com a coordenadora do curso de LIBRAS, da UGF. A intenção é inclusive convidar professores e alunos do INES – Instituto Nacional de Educação dos Surdos, disse Fernando Amaral do Centro Acadêmico do Direito da UGF.
Escrito por Melise Maia e Clara Deak, o curta conta com direção de Melise Maia e Produção de Anderson Muller, Letícia Tórgo e Lara Velho. No elenco já estão confirmados Ernesto Piccollo e André Ramiro (Tropa de Elite), entre outros. Em breve traremos novas informações sobre “O Caso Libras”.
Compartilhado por: Rafael Mota

domingo, 13 de novembro de 2011

Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (ATEA) faz campanha contra preconceito


A campanha era para ser veiculada na parte traseira dos ônibus, mas empresas de São Paulo, Salvador, Florianópolis e Porto Alegre se recusaram a fazê-lo. A saída foi utilizar outdoors. Pelo menos em Porto Alegre, que desde o começo do mês é a primeira cidade brasileira a exibir uma campanha que defende o ateísmo.
Afinal, o que há de tão problemático com os anúncios? De acordo com Daniel Sottomaior, presidente da organização responsável pela campanha, o que incomoda é o conteúdo. Ele diz que as mensagens foram feitas com o objetivo de conscientizar a população de que o ateísmo pode conviver com outras religiões e não deve ser encarado como uma deficiência moral. “Todos os grupos que sofrem algum tipo de preconceito procuram fazer campanhas educativas para tentar minimizar o problema. Foi o que fizemos”, afirma.
Diante das mensagens veiculadas nos outdoors, as reações foram variadas. “Foram interpretadas como provocação por alguns grupos religiosos. Além disso, muitos acharam de mau gosto ou preconceituoso. Acho que isso foi coisa de quem não entendeu ou não quis entender”, diz. Daniel diz que seu objetivo é mostrar que ser ateu é difícil. “As pessoas ficam chocadas quando você revela que não acredita em um deus. Muitos chegam a perder emprego e, principalmente, amigos”.
Para o sociólogo americano e estudioso das religiões Phil Zuckerman o ateísmo ainda é fonte de muito preconceito. Segundo ele, ateus sofrem até mesmo perseguições. “Mesmo atualmente, em algumas nações, ser ateu é passível de punição com pena de morte. Nos Estados Unidos existe um forte estigma em ser ateu, principalmente no sul, onde a religiosidade é mais forte”, conta.
No Brasil, um país laico, a intolerância pode aparecer nas situações mais improváveis. A professora da Universidade Federal de Minas Gerais Vera Lucia Menezes de Oliveira e Paiva perdeu um filho de dois anos, atropelado. Diante do sofrimento da família no velório da criança, Vera escutou uma frase que a deixou bastante magoada. “Uma amiga me disse: ‘Quem sabe isso não aconteceu para você aprender a ter fé?’. Isso apenas reforçou minha convicção de que eu não queria acreditar em nenhum deus que pudesse levar o meu filho inocente”, revela.
Apesar de tudo, Vera afirma que não se perturba com comentários acerca de sua escolha. “Acho natural que uma pessoa religiosa queira demonstrar sua fé. Entendo e convivo com pessoas bastante religiosas sem problema algum. Só não gosto quando ficam argumentando sobre o quanto é maravilhoso acreditar em Deus. Tenho direito a ter minha crença pessoal. Ou a falta dela.”
Daniel diz que atitudes como estas, vindas de amigos e familiares, fazem com que ateus não “saiam do armário”. Ele afirma que esta expressão, usada inicialmente para descrever homossexuais que ainda não se assumiram, encaixa-se perfeitamente no momento pelo qual o ateísmo vem passando. “Estamos atrasados uns 30 anos em relação à luta contra o preconceito, se compararmos com homossexuais ou negros. Sou bastante cético, mas tenho a esperança de que possamos alcançar o mesmo patamar daqui a algumas décadas”, revela.
Há quem veja afirmações como as dada por Daniel como exagero. O filósofo Luiz Felipe Pondé, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), considera ações como as desenvolvidas pela ATEA como marketing. “O preconceito diminuiu muito, principalmente nos meios universitários e empresariais. Acho a comparação de ateus com negros e homossexuais um exagero. Tem um pouco de marketing aí.”
Pondé admite que muitas pessoas ainda têm dificuldade em enxergar a possibilidade de uma vida sem um deus. “Muitos associam moral pública à religião. Isso também é um absurdo. Pessoas matam umas as outras acreditando ou não em Deus. O que acontece é que muitos ateus ficam alardeando coisas assim, mas acho que hoje o cenário já é bem diferente”, afirma.
Apesar de não ser tão enfático, Zuckerman admite que em alguns lugares do mundo o ateísmo não é mais visto como algo depreciativo. “Em muitas sociedades, como no Canadá e na Suíça, ser ateu não tem nada de mais. A Austrália, por exemplo, tem um primeiro-ministro ateu. Cada país tem uma dinâmica diferente.”

Compartilhado por: Rafael Mota

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Patente cearense disponibiliza tablet em braile



Publicado em 2 de novembro de 2011 
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Equipamento deverá ser disponibilizado para a educação pública brasileira a partir do próximo ano.
Equipamento também possui a função de sintetização de voz e deverá estar no mercado a partir do ano que vem
Um dos principais desafios dos deficientes visuais é ter acesso a leitura em braile de 100% de qualquer texto produzido no Brasil ou no mundo. Esse sonho deve ser possível a partir de 2012 graças ao Projeto Portáctil desenvolvido por professores do Instituto Federal do Ceará (Ifce) juntamente com a empresa incubada AED Tecnologia. O equipamento é capaz de permitir a leitura de documentos impresso ou digitalizados, bem como a escrita de documentos, utilizando uma ou mais células braile.

A câmara do tablet fotografa a folha do livro, que é escaneada em OCR e transformada em texto editável. "O tablet, que possui a interface feita no Android, permite comunicar via bluetooth para mostrar numa célula braile com formato de mouse o que está sendo lido no texto, dando ao usuário total controle de navegação sobre o texto exibido nessa modalidade de linguagem", explica um dos "inventores" pertencente à empresa incubada, Heyde Leão.

O Portáctil, com patente cearense, é financiado pelo Ministério da Educação (MEC) desde 2010 após o reitor do Ifce Cláudio Ricardo Gomes de Lima ter apresentado a ideia ao ministro da Educação Fernando Haddad. Na próxima semana, o grupo de pesquisadores do Instituto irá à Brasília apresentar o resultado do trabalho e informar ao ministro que o protótipo está pronto e já poderá ser disponibilizado para a educação pública brasileira em 2012.

Também serão traçadas estratégias pelo MEC para que possa entrar em fase de produção, a partir de licitação, pela indústria nacional. "Será um novo tempo para o deficiente visual", afirma o projeto tem à frente o professor Anaxágoras Maia Girão, também coordenador geral do Portáctil. Segundo ele, o projeto, coordenado pelo Laboratório de Pesquisa Aplicada e Desenvolvimento em Automação, ainda possui função de sintetização de voz, permitindo a leitura aos que não dominam a linguagem braile.

O objetivo do projeto é a inclusão de deficientes visuais na educação, salienta Heyde Leão. Segundo ele, o tablet poderia ser um diferencial, uma vez que é bastante custosa a produção de livros em braile. Um livro em braile, além do tamanho grande, precisa de mais de um volume para nele caber o original da edição comum. "O tablet pode armazenar muitos livros em braile", destaca.

Um dos integrantes da equipe, professor Elias Teodoro Júnior, ainda lembra que o equipamento se comunica com o tablet via bluetooth, o que permite que, na ausência do tablet, possa ser usado num celular do tipo smartphone. De acordo com o professor, a iniciativa tem como objetivo assegurar a inclusão de deficientes visuais na modernidade da educação. "Atualmente, temos pouca literatura em braile e a um custo muito alto. Esse equipamento possibilitará a leitura de qualquer documento". O Projeto Portáctil, tem patente depositada junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).

O equipamento possibilita a escrita, outra função adicional. Para Heyde Leão, ainda não é possível definir preço, uma vez que o MEC colocará os resultados do projeto em licitação pública para a indústria, sendo vencedora a proposta mais barata e de mais qualidade. Para dar uma ideia de comparação, ele cita o preço da máquina de braile, que tem mais de 60 anos no mercado e custa entre R$ 6 mil a R$ 7 mil. "As pessoas precisam desse tipo de solução para uma vida mais digna. Os valores finais devem ser justos".



Fonte: Diario do Nordeste
Compartilhado por: Rafael Mota