terça-feira, 21 de junho de 2011

Brasil atualiza o racismo por não discutir “branquitude”

A formação adequada do professor faz escola não ser discriminatória

Nos debates sobre raças e racismo pouco se fala sobre “branquitude”. E foi a partir desta constatação que a pedagoga e professora de educação infantil, Luciana Alves, demonstrou que ações afirmativas, como a lei sobre ensino da cultura africana, só fazem sentido se forem realizadas em ambiente de reflexão e reconstrução sobre o “ser branco”.
O tema “miscigenação” é muito falado no Brasil, mas o que se esconde por trás desse discurso é uma cultura que atualiza o racismo. A escola se apresenta como instituição discriminatória, onde o assunto “branquitude” é pouquíssimo discutido nos debates sobre raça. Essa situação colabora para que o branco se sinta superior e em posição de neutralidade a respeito do tema, fazendo perpetuar a “positividade da brancura” e os estereótipos negativados do “ser negro”.


Para realizar seu estudo Significados de ser branco – a brancura no corpo e para além dele, orientado pela Professora Marília Pinto de Carvalho, Luciana entrevistou 10 professores de ensino básico, sendo 4 autodeclarados brancos e 6 negros, a fim de saber o que pensavam sobre “o que é ser branco no Brasil”. O estudo foi apresentado na Faculdade de Educação (FE) da USP. A pesquisadora conta que os professores foram selecionados para o trabalho quando participavam de um curso sobre a Lei 10639/2003, que obriga o ensino de cultura e história africana e afro-brasileira nas escolas.
Metade branca
No Brasil, cerca de 50% da população se autodeclara branca, denunciando que no País onde existe um discurso sobre a mistura de raças ainda há motivos que levam as pessoas a se declararem brancas, mesmo sendo provenientes de família mestiça. De acordo com Luciana, esses motivos estão relacionados aos “significados de ser branco, para além da cor da pele”. Esses significados são um conjunto de características atribuídas culturalmente às pessoas que se reconhecem e são reconhecidas em suas comunidades como brancos.


“Ser branco é não ser negro”, disse um dos entrevistados. Tal resposta evidencia que o significado de ser negro geralmente já é construído como o contrário de ser branco. Por causa dessa mentalidade, é muito comum perceber no dia-a-dia situações em que “ser negro” é relacionado a características negativas. Em contra partida, o que é associado à brancura são valores positivos, socialmente estimados. A inteligência, a castidade, a beleza, a riqueza, a erudição e a limpeza, por exemplo, seriam características de um “negro de alma branca”, expressão utilizada por um dos professores entrevistados.
Nas entrevistas, o que ficou claro nas falas dos negros, além da tal positividade da brancura, foi a sensação de medo, insegurança, opressão e desconfiança. Isso confirma a imagem do branco como potencialmente opressor para os negros, construída e atualizada ao decorrer da história.
As respostas dos professores brancos sobre “ser negro” geralmente recorriam aos estereótipos muito bem fixados no imaginário popular. Quando falavam de suas infâncias, lembrando momentos em que presenciaram situações de discriminação, evidenciavam que desde aquela época esses estereótipos, criticados por eles atualmente, já estavam sendo construídos.
Essa construção coloca a “brancura” como padrão, como norma, e é essa padronização a principal responsável pela atualização do racismo no Brasil, segundo a pesquisa. “As memórias dos professores revelam a neutralidade de sua pertença racial, indicando que ser branco é não ter que refletir sobre esse dado”, constata a pesquisadora.
Nas Escolas
O racismo ainda existe e permeia o cotidiano do brasileiro e, nas escolas, não é diferente. Segundo Luciana, a melhor forma de não atualizar a discriminação nas salas de aula é colocar o tema “branquitude” em pauta. “É preciso entender que os brancos também formam um grupo racial que defende seus interesses, e acabam se beneficiando, direta ou indiretamente com o racismo”, diz a pesquisadora. Ela acredita que deve haver no ambiente escolar oportunidades de se discutir e questionar a adesão à ideia de superioridade da brancura. “É aí que entra a formação adequada dos professores, como aposta para que a idealização branca deixe de ser objeto de desejo para negros e brancos, pois ela pressupõe hierarquia”, descreve a pesquisadora. Nas salas de aula, a brancura ainda é construída como referência de humanidade, onde “o branco é sempre o melhor exemplo”.

Fonte: http://www.usp.br/agen/?p=43795
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domingo, 12 de junho de 2011

“Candomfobia” é crime racial

Reaja a intolerância religiosa, pois violência racial não negocia
Imagine sair na rua e perceber pessoas que olham com repulsa para você. Olham pelos cantos dos olhos e evitam estar perto de você.  Insultam-te com “piadinha” do tipo “vai seu macumbeiro, filho do diabo” ou injuriando a sua fé, “tá repreendido em nome de Deus”. É neste contexto que os adeptos da religião de Matriz Africana, o Candomblé, estão costumados a viver. A intolerância religiosa é configurada por lei como um crime de racismo, prática combatida pela Constituição Federal no seu Art. 5º, incisos VI, que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias”, e  também no Art. 19º, inciso XLII que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei”.

cristianismo(peixe) integrada a imagens que remetem ao candomblé e ao negro escravizado./arte Marcus Vinicius Queiroz.

 O que começou com a lei Afonso Arinos na década de 50, revogada pela lei Caó em 1989 e que hoje vigora na sua quarta versão, sendo a última mudança em 1997, pela Lei n.º 9.459, de 13 de maio de 1997 (Lei Paim), deu à legislação penal brasileira  de anti racismo  uma guinada importante no combate ao racismo no Brasil. Para o advogado Sérgio São Bernardo, do Instituto Pedra de Raio, especializado no combate à crimes raciais,  as mudanças contribuíram para penalizar  os criminosos de uma forma mais qualificada  e sem deixar precedentes.
A “injúria racial e o racismo difuso fazem com que a Lei seja aplicada não só apenas no preconceito de “raça ou de cor”, mas também o ato de preconceito de religião. Praticados pelos meios de comunicação ou por publicação de qualquer natureza”, afirmou.  Ninguém tem a coragem de assumir que praticou um crime de racismo, porém discrimina na forma indireta. Ou seja, não vou falar da pessoa negra, mas vou falar da religião e da sua cultura e “associar a religião, a cultura de uma etnia a atos pejorativos é um crime de racismo”, rebateu Sérgio São Bernardo.
Ultimamente os atos de “candomfobia”, (ato de aversão aos adeptos do Candomblé), vem-se manifestando de um jeito cada vez mais comum na sociedade brasileira. Suellen dos Santos Araújo, 23 anos, é a prova viva desta prática. No dia 20 de setembro de 2009, foi agredida juntamente com o seu Babalorixá Reginaldo de Oxaguiã e irmãos de “santo” por mais de trinta pessoas, ao sair de um terreiro, localizado no bairro de Paripe. Suellen, que estava grávida, levou socos e bicudas.
“Quando percebi meu pai (o Babalorixá) desmaiado, me atirei sobre o seu corpo, mas isso não cessou as agressões, começaram a chutar e gritar que eu ia perder a criança”. Em janeiro de 2011, Suellen se iniciou no Candomblé. Desempregada e cumprido o resguardo de Yaô saia à procura de emprego utilizando vestimentas brancas, contra-egum e ojá branco na cabeça e, por isso novamente era discriminada onde passava. “As pessoas de outras religiões mim paravam e diziam que Eu deveria aceitar a Jesus, pois essa “seita” só ia levar para o buraco. Depois da feitura pessoas que tinha como amigos se distanciaram de mim. Mas não ligo o que tenho no Orí faz perdoar essas atitudes preconceituosas e sei que cultuo Yemanjá, divindade africana, e não o diabo”, contestou.   
Usar traje branco, com boina, ojá ou torço branco e com as contas tem que “peito”, pois as pessoas na rua não vão te deixar sossegado. Mesmo todos nós sabendo que o Brasil é um país laico, ou seja, que não prega nenhuma religião se você não estiver seguindo os padrões dogmáticos é perseguido, quase da mesma forma quando na época da Inquisição. “Teoricamente, o Brasil caminha em prol da liberdade religiosa, mas a prática diz que o Estado brasileiro é fortemente cristão e preconceituoso. As religiões de Matriz Africana são demonizadas e nem sequer é considerado religião”, declarou Sérgio São Bernardo.

Se sofreu um ato de intolerância religiosa, siga esses passos:

  •  na delegacia mais próxima, em organizações de combate ao racismo, no Ministério Público pela vara de crimes raciais ou no órgão de defesa do consumidor, classificando o ato de injuria racial;
  • Pedir a certidão de queixa, pois é com ele que você vai dar prosseguimento ao processo;
  • Entra com a ação penal por meio da Lei Caó (7.716) e também ação civil indenizatória para compensar o dano que sofreu.
Autor: Eduardo Machado
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sábado, 11 de junho de 2011

Romário quer pessoas com deficiência trabalhando na Copa 2014

Durante sua passagem na capital mineira para a realização do II Fórum Legislativo de Cidades-Sedes da Copa 2014, realizado na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, na segunda-feira, o deputado federal Romário Faria defendeu bandeira da acessibilidade. O ex-atacante cobrou providências para que as pessoas com deficiência possam participar do Mundial não apenas como torcedores, mas também como mão de obra qualificada.
“Tenho certeza que pessoas com deficiência visitarão o Brasil para a Copa do Mundo, então porque não os brasileiros possam dar aos nossos deficientes oportunidade de capacitá-los para que eles recebam os turistas”, ressaltou o parlamentar. “Nós temos que parar para pensar em nossas crianças e jovens e nos deficientes. Por esse simples fato de eles serem deficientes, não significa que eles não gostam do país”, acrescentou.
Segundo Romário, o preconceito hoje em dia é um pouco melhor. “A falta de respeito já diminuiu, mas, infelizmente, ainda existe alguns imbecis, idiotas e ignorantes que acham que essas pessoas não foram para esse mundo”, comentou. O deputado federal acredita que faltou ser colocado durante o evento, algo relacionado a crianças e jovens, que são vítimas das drogas que estão invadindo o país. Ele se referiu, especificamente, ao crack e o oxi.
“Não podemos esquecer que o Brasil não vai acabar em 2016 (pós-Olimpíadas no Rio de Janeiro), o Brasil continua. Essa droga que chegou ao Brasil há alguns anos, segundo um especialista que tive oportunidade de conversar, dependendo do uso, essa droga pode matar em seis meses”, destacou.
Romário lembrou que a comissão já esteve em quatro cidades-sedes: Fortaleza, Recife, Curitiba e Belo Horizonte. Ele disse que o grupo vai passar por todas as sedes e deve terminar esta agenda entre setembro e outubro deste ano.
“Espero que o estado nos veja como uma comissão que vem aqui com o objetivo de ver, ouvir e chegar a uma conclusão e puder ajudar ao máximo para que  as coisas aconteçam”, alegou o deputado federal. Sobre a bandeira em defesa das pessoas com deficiência.
“Essa é minha luta, vou brigar muito por isso. Vou exigir e fazer questão, dentro da possibilidade como deputado para que isso tenha realmente não só nos estádios. Temos que aproveitar que o Brasil está de cabeça para baixo em obras, e temos que começar a entender que  somos muito carente em acessibilidade”, avaliou.
Fonte: UOL Esporte
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Safári dos Sentidos une meio ambiente e inclusão social

No Dia Mundial do Meio Ambiente, neste domingo 5 de junho, o prefeito Luciano Ducci abriu a exposição Safári dos Sentidos, no Museu Botânico de Curitiba, no Jardim Botânico. A exposição é direcionada aos deficientes visuais, mas todos podem visitá-la e conhecer mais sobre a fauna e flora brasileiras.
A visitação tem entrada grátis e segue até o dia 3 de julho, das 9h às 17h. “Achei fantástica a exposição. A partir de amanhã, quando começarem as visitações das escolas, a criançada vai adorar poder tocar nos bichos”, disse o prefeito Luciano Ducci.
O pequeno Bernardo comemorou o aniversário de 2 anos visitando a exposição. “Ficou muito bonita a exposição, meu filho adorou. Hoje é aniversário dele e viemos comemorar aqui”, disse Cassiana Bolfe, moradora do Guabirotuba e mãe do Bernardo. “Parabéns, muita saúde, felicidades e aproveitem bem a exposição”, disse Luciano Ducci.
A exposição foi organizada pelas secretarias municipais do Meio Ambiente e dos Direitos da Pessoa com Deficiência e mostra animais taxidermizados (empalhados) do acervo do Museu de História Natural.
Dos animais expostos, 16 podem ser tocados pelos visitantes, para percepção de tamanho, pelagem, formato e outras características. Foram selecionados para a exposição espécies como onça-pintada, jacaré-do-papo-amarelo, lobo-guará, coruja, cachorro-do-mato, tamanduá-mirim, entre outros.
“Ações como essa demonstram o respeito que a Prefeitura tem com as pessoas com deficiência. Estamos dando a oportunidade aos cegos de poderem sentir e ter conhecimento sobre como são os animais aqui expostos”, disse o secretário dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Irajá de Vaz Brito.
Karina Pessoa Pettres Gouvea, de 32 anos, adorou caminhar pelo Safári dos Sentidos. “Gostei de tudo. Sou artista plástica de natureza e aqui tenho inspiração para fazer minhas telas”, contou. Luciano Ducci ouviu elogios das pessoas que visitaram a exposição. “Outros governos e prefeituras deveriam seguir o exemplo de Curitiba e investir em exposições assim”, disse Roseli Silva de Oliveira, moradora de Indaiatuba (SP).
“Estamos proporcionando que pessoas com deficiência visual tenham conhecimento sobre o meio ambiente”, disse a secretária do Meio Ambiente, Marilza de Oliveira Dias.
Os animais expostos têm placas de identificação com nome, alimentação, hábitos e curiosidades. As informações também estarão em braile. Algumas espécies, como a onça, têm sonorização para que os deficientes visuais possam perceber todos os detalhes do animal.
Safári dos Sentidos
Aberto até 2 de julho
De segunda a sexta-feira, das 8h30 às 12h e das 13h às 17h
Sábados, domingos e feriados, das 9h às 18h.
Sala de exposição do Museu Botânico Municipal, dentro do Jardim Botânico

Divulgado também por: Ricardo Shimosakai
Compartilhado por: Rafael Mota

quarta-feira, 8 de junho de 2011

ESPORTE PARAOLIMPICO


Com o fim da 2ª Guerra Mundial, o grande número de combatentes que sofreu graves lesões corporais tomou conta dos países europeus que participaram do conflito. Essa nova realidade influenciou o início de um trabalho de reabilitação médica e social de veteranos de guerra. São essas as raízes dos esportes paraolímpicos, que por meio da prática de atividade esportiva, é possível restabelecer a saúde física e mental do indivíduo.

No Brasil, o esporte paraolímpico começou a ser praticado pelo cadeirante Robson Sampaio de Almeida, em parceria com seu amigo Aldo Miccolis. Os dois fundaram o Clube do Otimismo no Rio de Janeiro e, meses depois, Sergio Seraphin Del Grande fundou o Clube dos Paraplégicos de São Paulo. Almeida e Del grande, depois de tratarem-se em hospitais norte-americanos e presenciarem pessoas em cadeira de rodas praticando esporte, trouxeram a ideia para o Brasil.
Hoje, são 20 modalidades esportivas destinadas a deficientes físicos do sexo masculino e feminino. Para competições do Circuito Loterias Caixa, a idade mínima do atleta é de 14 anos e não há idade máxima. Para as Paraolimpíadas Escolares, a idade mínima é de 12 anos e a máxima é de 21 anos. Existe uma classificação funcional para todas as modalidades e os atletas são classificados em cada modalidade de acordo com seu comprometimento físico-motor.

Para cada tipo de deficiência, existem modalidades possíveis, como é o caso de pessoas com deficiência visual, que podem praticar futebol, goalball ou judô. As deficiências aceitas nos esportes paraolímpicos vão desde paralisia cerebral, amputação de algum membro do corpo até a cegueira completa. A única exceção é para deficientes auditivos, que participam de atividades esportivas convencionais. A única modalidade em que os atletas são categorizados por peso corporal é no halterofilismo convencional.

Compartilhado por: Danilo Costa

terça-feira, 7 de junho de 2011

Câmara aprova obrigatoriedade de cardápio em braile nos restaurantes

Quando as demais cidades de São Paulo e os demais Estados Brasileiros irão tomar iniciativas como esta???


“Parece que servem sopa aqui. Adoro. Ouvi a conversa na outra mesa”, diz Bernadete Fonseca, 51, pouco antes de entrar no táxi que a espera, ao lado marido, na saída da Forneria San Paolo. Bernadete vê apenas contornos de luz. Sofre de uma doença que a fez perder quase toda a visão. Conheceu Geraldo Fonseca, 53, (cego desde a infância) quando procurava se adaptar – e há quatro anos estão juntos.
Gostam de frequentar restaurantes, mas nem sempre têm facilidade à mesa. Na última sexta-feira, foram à rua Amauri, o badalado endereço gastronômico do Itaim Bibi (zona sul de São Paulo). Dos 11 restaurantes dali, somente três têm cardápio em braille, como manda a lei. Acomodados à mesa da Forneria San Paolo, perguntam ao garçom sobre a especialidade da cozinha. O funcionário ensaia a leitura, mas, 15 minutos depois, finaliza poucas descrições.
Ele é interrompido, a cada instante, por perguntas como “Qual o valor desse prato?”. O salão está cheio e ele não segue até o fim da lista. “O menu em braille dá privacidade. Escolho o que dá água na boca e o que posso pagar”, diz Bernadete assim que o atendente se vai. Para atender aos cerca de 148 mil cegos no Brasil (número do IBGE), não é preciso investimentos altos. A transcrição, feita por instituições como a Dorina Nowill e a Turismo Adaptado, custa R$ 60 por dez páginas.
A Forneria San Paolo afirma que “nunca recebeu deficientes visuais” e que “tampouco tinha conhecimento da lei”. Diz nunca ter recebido a fiscalização e que vai providenciar o cardápio adaptado em breve. Segundo a Secretaria de Coordenação das Subprefeituras, que responde pela vigilância, “a fiscalização ocorre rotineiramente e todos os estabelecimentos da cidade são vistoriados”.
A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania aprovou o Projeto de Lei 1694/99, da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), que obriga restaurantes, bares e lanchonetes a oferecer cardápio em braile aos clientes. O projeto foi aprovado em caráter conclusivo e seguirá para o Senado, a menos que haja recurso para que seja votado pelo Plenário da Câmara.
A relatora, deputada Sandra Rosado (PSB-RN), votou pela constitucionalidade e juridicidade da proposta, com emenda. Segundo ela, a proposta inicial merece aperfeiçoamento de redação para corrigir a previsão de multa de 100 Ufir para as empresas que não cumprirem a determinação.
“Uma vez que a unidade de referência para a multa, a Ufir, foi extinta, alteramos a proposta para que a multa passe a ser de R$ 100, reajustada com base nos índices de correção dos tributos federais”, afirmou. Esse valor será duplicado em caso de reincidência.
Segundo a relatora, o projeto ajuda a superar as barreiras que impedem a integração das pessoas com deficiência. “O acesso ao conhecimento e à informação, além do estímulo à convivência, podem promover a inclusão das pessoas com deficiência em nossa sociedade.”

Compartilhado por: Rafael Mota

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Karatê adaptado para pessoas com deficiência. A real luta pela inclusão.



O apredizado do karatê por pessoas com deficiência mostra que a deficiência está naqueles que não conseguem superar obstáculos. Desde 2008, quando começou a trabalhar com seu primeiro aluno portador de necessidades espeiais, o professor de Karatê e faixa preta 4º Dan, Charles Wilson Teske, 26 anos, focou no aprimoramento da adaptação da técnica milenar japonesa para, quem sabe um dia, atender muito mais do que os dois alunos que tem, em Gaspar e em Doutor Pedrinho.
Porém, primeiro, Charles sabe que terá de vencer o preconceito dos próprios pais, que não apostam na capacidade de seus filhos com deficiência e também desconhecem que o Karatê possui a modalidade kata (sequência de movimentos individuais de ataque e defesa sem contato físico), que não oferece riscos para os alunos. “Muitos pais têm medo, por considerar o karatê uma luta, mas no fundo, queremos difundir a arte”, explicou o professor.
Charles já conversou com a diretora da Associação de Pais e Amigos do Excepcional (Apae) de Gaspar e o objetivo é ter um projeto social que atenda a essas pessoas, que terão muitos benefícios com a prática da modalidade. “Um deficiente tem ganhos consideráveis em sua coordenação motora, aumento da percepção de espaço e noção de ângulo. Um exemplo é meu aluno Maicon Bernardes, de 32 anos, que antes via um relógio e não tinha nenhuma noção. Hoje, ele já conhece, pois teve noção de ângulos”, ressalta o professor.
Charles enaltece a capacidade de aprendizado dos alunos deficientes e diz que eles o enchem de orgulho. “Dizer que eles não são capazes é puro preconceito, pois eles nos honram tanto quanto os outros karatecas. Eles têm vontade de aprender”, destaca o faixa preta.
A admiração do professor pelos alunos com deficiência mental e motora, e sua vontade de trabalhar ensinando-os a ganhar mais mobilidade, contribuindo para sua inclusão social, é explicada pela sua criação. “Tinha deficientes mentais na minha família e isso sempre me fez enxergá-los sem o preconceito que existe na maioria das pessoas”, contou.
 Os alunos
Além de Maicon Bernardes, Charles tem como aluno Flávio Tomelin, de 27 anos. O professor conta que no caso de Maicon, que pratica Karatê há quase dois anos, a evolução é muito grande. “Ele chega a me ajudar na demonstração dos movimentos nas minhas aulas infantis. Além disso, está prestes a fazer o exame para faixa roxa e, assim, deixar para trás mais uma etapa cumprida”, diz Charles. Maicon é faixa verde e já passou pela branca, amarela, vermelha e laranja, e já está na metade do caminho até a faixa preta. “Ele vai conseguir”, diz o professor.
 O professor 
Charles Wilson Teske é faixa preta 4º Dan e dá aulas em Gaspar, na Sociedade Canarinhos, e tem parceria com a Fundação Municipal de Esportes. Pratica Karatê desde os oito anos de idade, e aos 13, foi campeão estadual da modalidade. Charles preza o Karatê como arte e cultura, por isso, é contra o karatê esportivo que estimula a luta e o contato físico.

Publicado por: Ricardo Shimosakai 
Fonte: TURISMO ADAPTADO
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quinta-feira, 2 de junho de 2011

Educador x dançarino: o paradigma do professor de Educação Física


 Ao abordarmos tal temática procuramos basicamente identificar as dificuldades e apontar possibilidades do professor de Educação Física, que não tem uma boa relação motora com o dançar, em trabalhar com o conteúdo dança na escola, assim como pontuar as estratégias que podem ser usadas por ele em tal prática. Valemo-nos, aqui, de uma pesquisa exploratória, na qual recorremos a entrevistas semi-estruturadas destinadas a sete alunos graduandos do curso de Educação Física da Faculdade Social. Para tal buscamos pistas em publicações como o Coletivo de Autores (1992), os PCNs (2001) e em outras fontes afins. Através da análise dos dados verificamos nos acadêmicos uma vontade unanime em trabalhar com a dança no contexto escolar, assim como a possibilidade do professor que não possui habilidade como dançarino usar de artifícios que o auxiliem na condução de suas aulas.


Quer ler a produção na integra acesse o link: 
http://www.efdeportes.com/efd150/educador-x-dancarino-o-paradigma-de-educacao-fisica.htm


Autores: 

Flávio Cardoso dos Santos Junior
flaviao@oi.com.br


Tiago Teixeira Trindade
tiagotrindade@hotmail.com


Viviane Rocha Viana

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quarta-feira, 1 de junho de 2011

Rugby em cadeira de rodas. Batendo de frente a favor da inclusão no esporte.

O rúgbi se assemelha bastante ao futebol americano, por ter quase os mesmos objetivos e ser um jogo que envolve forte contato físico. As equipes são formadas por quatro jogadores e há oito reservas à disposição do técnico. Esta grande quantidade de suplentes é explicada pela intensidade das colisões entre competidores e cadeiras. Homens e mulheres tetraplégicos atuam juntos. É necessário ter agilidade para manusear a bola, acelerar, frear e direcionar a cadeira.
Quadras de basquete de 15 metros de largura por 28 metros de comprimento são utilizadas no rúgbi em cadeira de rodas, ao contrário dos campos de grama convencionais. A quadra é dividida em duas áreas. Há um círculo central e duas áreas-chave (um tipo de "grande área"), que ficam à frente das linhas de gol. Os jogadores de ataque só podem ficar dentro da área-chave por no máximo dez segundos, enquanto três jogadores de defesa têm o direito de permanecer no local por tempo indeterminado. A entrada do quarto jogador na área-chave resulta em uma penalidade (falta).
O objetivo do rúgbi é marcar o gol, delimitado por duas barras verticais na linha de fundo da quadra. Entretanto, para fazê-lo é preciso passar a linha de gol adversária com duas rodas da cadeira. O atleta deve, obrigatoriamente, segurar a bola. O início do jogo funciona como no basquete: dois atletas permanecem dentro do círculo central na disputa pela bola, jogada ao alto pelo árbitro. Os atletas podem conduzí-la sobre suas coxas, passá-la para um companheiro de time ou quicá-la. O jogador pode ter a posse da bola por tempo indeterminado, mas precisa quicá-la pelo menos uma vez a cada 10 segundos. O time que tem a posse da bola não pode demorar mais de 12 segundos para entrar no campo do oponente e 40 segundos para finalizar a jogada. Esta medida visa tornar a modalidade o mais dinâmica possível.
As partidas são divididas em quatro períodos de oito minutos, cada. Entre o primeiro e o segundo quarto, há pausa de um minuto. Assim também ocorre entre a terceira e a última etapa. Do segundo para o terceiro período, cinco minutos são dados para o intervalo. Caso o jogo termine empatado, uma prorrogação de três minutos é disputada. Durante o tempo normal, assim como no basquete, cada time tem direito a dois tempos técnicos e cada atleta tem direito a quatro tempos de 30 segundos. Na prorrogação, um tempo técnico fica disponível para ambas as equipes. No Brasil, a modalidade é organizada pela Associação Brasileira de Rúgbi em Cadeira de Rodas (ABRC).
Histórico
O esporte surgiu no Canadá, em 1977. Apesar de ser uma modalidade relativamente nova, sua expansão tem sido rápida. Em 1996, nos Jogos Paraolímpicos de Atlanta, o rúgbi em cadeira de rodas estreou na maior competição paraolímpica mundial. Nesta ocasião, apenas os homens entraram em quadra. Já em Sydney (2000), as equipes eram formadas por homens e mulheres. Nunca houve uma seleção brasileira do esporte em Jogos Paraolímpicos.

Publicado por: Ricardo Shimosakai
Fonte: Blog Turismo Adaptado
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