Em Homenagem ao meu amigo Marcelo Lima!!
Ser cadeirante é ter o poder de emudecer as pessoas quando você passa…
Ser
cadeirante é não conseguir passar despercebido, mesmo quando você quer
sumir! E ser completamente ignorado quando existe um andante ao seu
lado. E isso não faz sentido, as pernas e os braços podem não estar
funcionando bem, mas o resto está!
Ser
cadeirante é amar elevadores e rampas e detestar escadas… Tapetes? Só
se forem voadores, por favor! Ser cadeirante é andar de ônibus e se
sentir como um “Power Ranger” a diferença é que você chega ao ponto e
diz: “é hora de MOFAR”.
Ser cadeirante é ter alguém falando com você como se você fosse criança, mesmo que você já tenha mais de duas décadas.
Ser
cadeirante é despertar uma cordialidade súbita e estabanada em algumas
pessoas. É engraçado, mas a gente não ri, porque é bom saber que ao
menos existem pessoas tentando nos tratar como iguais e uma hora eles
aprendem!
Ser
cadeirante é conquistar o grande amor da sua vida e deixar as pessoas
impressionadas… E depois ficar impressionado por não entender o porquê
do espanto.
Ser
cadeirante é ter uma veia cômica exacerbada. É fato, só com muito bom
humor pra tocar a vida, as rodas e o povo sem noção que aparece no
caminho.
Ser
cadeirante e ficar grávida é ter a certeza de ouvir: “Como isso
aconteceu?” Foi a cegonha, eu não tenho dúvidas! Os pés de repolho não
são acessíveis! Ser cadeirante é ter repelente a falsidade. Amigos
falsos e cadeiras são como objetos de mesma polaridade se repelem
automaticamente.
Ser
cadeirante é ser empurrado por ai mesmo quando você queria ficar
parado. É saber como se sentem os carrinhos de supermercado! Ser
cadeirante é encarar o absurdo de gente sem noção que acha que porque já
estamos sentados podemos esperar, mesmo!
Ser cadeirante é uma vez na vida desejar furar os quatro pneus e o step de quem desrespeita as vagas preferenciais.
Ser
cadeirante é se sentir uma ilha na sessão de cinema… Porque os espaços
reservados geralmente são um tablado ou na turma do gargarejo e com uma
distancia mais que segura pra que você não entre em contato com os
outros andantes, mesmo que um deles seja seu cônjuge!
Ser cadeirante é a certeza de conhecer todos os cantinhos. Porque Deus do céu, todo mundo quer arrumar um cantinho para nós?
Ser
cadeirante é ter que comprar roupas no “olhômetro” porque na maioria
das lojas as cadeiras não entram nos provadores Ser cadeirante é viver e
conviver com o fantasma das infecções urinárias. E desconfio seriamente
que a falta de banheiros adaptados contribua para isso.
Ser
cadeirante é se sentir o próprio guarda volumes ambulante em passeios
pelo shopping Ser cadeirante é curtir handbike, surf, basquete e outras
coisas que deixam os andantes sedentários morrendo de inveja. Ser
cadeirante é dançar maravilhosamente, com entusiasmo e colocar alguns
“pés-de- valsa” no bolso…
Ser
cadeirante é ter um colinho sempre a postos para a pessoa amada… E isso
é uma grannndeeee vantagem! Ser cadeirante (e mulher) é encarar o
desafio de adaptar a moda pra conseguir ficar confortável além de mais
bonita.
Ser
cadeirante é se virar nos trinta pra não sobrar mês no fim do dinheiro,
porque a conta básica de tudo que um cadeirante precisa… Ai… Ai… Ai…
Essa merece ser chamada de Dolorosa.
Ser
cadeirante é deixar um montão de médicos com cara de: “e agora o que eu
faço” quando você entra pela porta do consultório… Algumas vezes é
impossível entrar, a cadeira trava na porta…
Ser
cadeirante é olhar um corrimão ou um canteiro no meio de uma rampa, ou
se deparar com rampas que acabam em um degrau de escada e se perguntar:
Onde estudou a criatura que projetou isso? Será mesmo que estudou?
Ser
cadeirante é ter vontade de grudar alguns políticos em uma cadeira por
um dia e fazer com que eles possam testar os lugares que enchem a boca
pra chamar de acessíveis…
Ser
cadeirante é ir à praia mesmo sabendo que cadeiras + areia + maresia
não são uma boa combinação! Ser cadeirante é sentir ao menos uma vez na
vida vontade de sentar no chão e jogar a cadeira na cabeça de outro ser
humano.
Autora: Leticia Oliveira
Compartilhado por: Rafael Mota







